Naquele dia a lua estava pela metade, assim como eu me sentia naquele instante. Não sabia mais diferenciar passado, do presente, e muito menos, do futuro. Eu queria estar perto e por frações de segundos pensei que estávamos vivendo algo corriqueiro de um final de semana. Era notória a minha alegria. Era notória minha angústia. É notória a sua ausência. O seu silêncio. A minha dor. Trocamos algumas palavras, não mais do que algumas informações... Afinal, dois anos passa rápido, mas muita coisa acontece, não? Não sei... O que eu achava que estava apagado, o tempo fez aparecer. Veio à tona, como uma pancada no dedo, ou como uma bala entrando no peito. Não tive tempo, quando vi, já tinha ido embora toda a minha racionalidade, me dei conta do quanto você ainda está em mim. Do quanto quero te esquecer. Te ver entrar por aquela porta é a sensação mais dolorosa que eu senti. É reviver tudo aquilo que eu queria...