Hoje acordei com saudades de escrever, de novo. E hoje o dia está propicio para isso: cinzento, nublado, melancólico. Na playlist do Spotify, estava tocando só as bandas emos da minha adolescência. Foi um mergulho na adolescência, nos sonhos antigos e nos amores frustrados. É engraçado a gente voltar às velhas músicas, porque o contexto é totalmente diferente agora. Parece que não se encaixa mais - e de fato, é pra isso acontecer-. Já não sou mais a mesma, já morri e renasci, mas os gostos ainda são os mesmos.
Quanto tempo se leva até você descobrir o que quer ser, de fato, na vida? Eu já quis muitas coisas dentro desses trinta e dois anos. Quis ser jornalista, quis ser roteirista, quis ser fotógrafa, quis ser professora. A única coisa que me falta realizar é ser escritora. Mas não precisa escrever muitos livros para ser, certo? O que faço aqui já é escrever algo. Já é expor o meu "eu-lírico" para as pessoas. A grande questão é que não existe métrica para calcular a escrita.
Por muito tempo, busquei me encaixar em caixinhas. Pulava de uma para outra, mas nenhuma parecia servir. E assim segui, até o dia em que descobri que as caixas não existiam. Sempre pensei fora da caixa. Nunca enxerguei a vida do mesmo jeito que os outros. Olhava a fórmula de matemática na lousa, seguia todos os passos que a professora ensinara e, adivinha? O resultado era o mesmo, mas, para mim, sempre faltava uma etapa. — Volte para sua mesa e refaça como ensinei. Assim dizia a professora. Assim vivi por muito tempo. Décadas. Quando entendi que pensar fora da caixa era simplesmente ver o mundo de um jeito diferente, senti alívio. E esse alívio veio num diálogo entre meu marido e eu, logo após sair do teste de neurodivergência. A pergunta era simples: — Você precisa me dizer quais são as semelhanças entre as palavras que eu falar, certo? — Certo. — Orelha e olhos. Minha resposta: — Ambas estão no rosto. A resposta do meu marido: — São sentidos humanos — audição e visão. Mesma pergun...
Comentários
Postar um comentário